Cálculo Diferencial e IntegralFunções, Limites e Continuidade
Funções Reais de Uma Variável
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Função de uma variável real
Uma função associa a cada exatamente um valor . é o domínio (entradas permitidas); é o contradomínio (o conjunto de chegada declarado). O conjunto imagem é , um subconjunto de : o que a regra de fato atinge.
A cláusula "exatamente um" é o que distingue função de relação: uma relação reúne pares sem exigir saída única, e o mesmo poderia ter duas saídas. No plano, a exigência de uma saída é o teste da reta vertical. A circunferência
não é gráfico de como função de : cada tem dois , e . Para ter função, escolhe-se um ramo (o semicírculo de cima, por exemplo). Dois distintos podem compartilhar a mesma saída: não viola nada.
Domínio, contradomínio e imagem
O domínio é o maior conjunto de reais nos quais a fórmula faz sentido, salvo o enunciado restringir. Três restrições cobrem o que aparece:
- denominador ;
- radicando de raiz de índice par ;
- argumento de (quando aparecer) .
Cada restrição corta um pedaço; o domínio é a interseção do que sobra. Uma fórmula mista (produto, quociente, uma função dentro da outra) herda todas as cortes das peças. Em entram as duas: pela raiz e pelo denominador, logo o domínio é ; o sai mesmo estando à direita de .
O contradomínio é uma escolha de apresentação. Escrever com é correto: cada real tem um quadrado real. A imagem, porém, é : nenhum negativo é atingido. "Chegar em " quer dizer que cada saída está em , sem exigir atingir todo .
Por que separar. A imagem responde "quais saídas de fato ocorrem". O contradomínio responde "em que conjunto as saídas são consideradas". Invertibilidade, por exemplo, exige imagem igual ao contradomínio (sobrejetividade: todo elemento declarado em é atingido) além de entradas distintas darem saídas distintas. Com e contradomínio , falta sobrejetividade; com contradomínio , a mesma regra já cobre todas as saídas declaradas. Trocar o contradomínio não muda a regra ; muda só o que se declara como conjunto de chegada.
A notação é a avaliação: a saída no ponto . Se , então . A composta aplica e em seguida ; só está definida onde cai no domínio de .
Exemplo: e
(raiz quadrada real) tem domínio : não há real de negativo. Com contradomínio , a imagem é , o mesmo conjunto do domínio neste caso. Já com domínio e contradomínio tem imagem : o contradomínio é maior que a imagem.
Em ,
está definido; não está. Em , os dois existem: e . Polinômio e raiz se distinguem pelo recorte do domínio.
Em um conjunto finito o mesmo recorte aparece sem fórmula. Se e , , , a imagem é , não nem um contradomínio que se tenha declarado. O ponto não está na imagem: nenhum satisfaz . Avaliar é só aplicar a regra: . Pedir não faz sentido; . O contradomínio poderia ser ou ; a imagem continua .
" vai de em " exige apenas que cada saída esteja em . Preencher todo é sobrejetividade, um requisito à parte. A definição só exige que cada entrada tenha uma saída em .
Tipos: polinômio, racional, raiz
Polinômio. com e . O domínio é inteiro: não há divisão nem raiz que quebre. O termo líder governa o comportamento quando é grande: se é ímpar e , quando e quando . Se é par e , os dois lados vão a .
Exemplo curto: tem grau e líder , logo quando e quando . Um polinômio de grau com líder positivo, , tem nos dois sentidos de e corta o eixo em ; o domínio continua sendo , a imagem é (o vértice em vale ).
Racional. com polinômios e . O domínio exclui as raízes de . O que acontece num zero de :
- Se e , há assíntota vertical em : os valores saem de qualquer faixa finita.
- Se , cancele fatores para . Resta um buraco só se a ordem do zero de em não superar a de : após cancelar, o denominador não zera em , e os valores próximos de se aproximam de um número finito — o limite em , o valor que aborda quando se aproxima de , sem precisar de . Se a ordem de for maior, como para , ainda há assíntota, não buraco.
O cancelamento muda a fórmula, não o domínio original; continua de fora até alguém redefinir manualmente. Não classifique buraco ou assíntota só por : confira as ordens.
Raiz. . Se é par, o domínio exige (e o que mais exigir: denominador, etc.). Se é ímpar, pode ser negativo. Uma fórmula mista herda todas as restrições.
Exemplo: domínio de
O fator é polinômio: não corta domínio. A raiz quadrada pede , ou seja .
O produto só está definido onde todas as peças estão. Domínio: . Em
o extremo entra (radicando zero é permitido; radicando negativo, não). Em o radicando é , e não existe; o fator não remove a restrição da raiz.
Não exclua por "parecer" especial:
está definido. A raiz exige radicando mesmo com o fator , que é polinômio em todo ; o produto só está definido onde a raiz está. A imagem desta começa em (atingido em e em ) e sobe para quando ; isso não entra no cálculo do domínio, mas ajuda a separar domínio de imagem.
Gráfico e buraco removível
Esboçar começa pelo domínio: o que não está definido não pode aparecer como ponto do gráfico. Interceptos ( e, se está no domínio, ) e simetria () ajudam, mas o erro típico é cancelar um fator e esquecer o buraco.
Exemplo:
O denominador anula em . Domínio: , mesmo que o numerador também anule ali. Substituir na fórmula original dá , que não é um valor; indica fatorar, não atribuir .
. Para ,
A regra simplificada é a reta , exceto no ponto , que nunca foi entrada. Conferindo um ponto: em , a original dá e a simplificada dá . Em , original e simplificada . A igualdade vale em todo o domínio; só falha em , onde a original nem está definida.
Trace e retire o ponto : seria o valor se estivesse no domínio. Intercepto em : , o ponto está no gráfico. Intercepto em : dá , e , então também está. O único ponto que não se desenha é .
O limite quando é ; a função não assume esse valor em porque não existe. Isso é um buraco removível, não uma assíntota: a função permanece limitada perto de ; só falta um ponto. Perto de , os valores são , , , todos perto de , nenhum diverge para infinito.
Se o numerador não anulasse em , o cancelamento não ocorreria e haveria assíntota vertical, não buraco. Compare com : em o numerador vale , e
quando . Se só zera em e , há assíntota vertical. Zerar juntos não basta: neste exemplo as ordens coincidem e, após cancelar, resta (buraco). Em também é em , mas a ordem de é maior e sobra . Em ambos os casos sai do domínio; o comportamento perto de distingue buraco de assíntota.
Translação
, , dão . O ponto de vai para : e .
A assíntota vertical vira ; a horizontal vira .
Se , cada ponto vai para . Com o gráfico desloca à direita; com , para cima.
Por que o sinal de . avalia em ; o valor ocorre quando , então o desenho de aparece à direita.
Completar o quadrado: denominador sempre positivo
: metade de é , logo e .
para todo real; somar dá . O quadrático nunca zera.
Para , escreva . Se resta , o quadrático é e nunca zera.
Uma racional com esse não tem assíntota vertical: o domínio, se é polinômio, é inteiro.
Inversa de
Para achar o que produz um dado, isole em . Com , o módulo vale ou conforme o sinal, e a fórmula racional muda de ramo.
, logo . Multiplicar dá ; isolar dá . Neste ramo força .
, logo . Multiplicar dá ; isolar dá . Neste ramo .
Os dois ramos cobrem sem sobrepor. Todo desse intervalo tem exatamente um antecedente: .
Por que inverter. Os limites só descrevem o intervalo da imagem; a lei isolada prova que cada do intervalo é atingido uma vez.
No ramo , em dá , e . No ramo , em dá , e .
Crescente estrita pela diferença
Com . Se , e :
O numerador e o denominador , logo .
Se : , . A mesma diferença de frações dá (denominadores ).
Se : .
Em todos os casos implica : é estritamente crescente em .
Por que isso dá injeção. Injetiva significa entradas distintas com saídas distintas: se , não pode ser nem (a diferença seria ), logo .
Quadrado e números negativos
cumpre , mas não . A conjunção e é só , um pedaço distinto de .
Com , vale e : não força .
Elevar ao quadrado não preserva a ordem em negativos. A desigualdade equivale a , o intervalo , e não à conjunção e .
decresce em e cresce em .
e o intervalo
dá e . Em , .
e a raiz (em ) preserva a ordem: .
Fatorando: , produto negativo só entre as raízes.
Logo equivale a , isto é .
Em Resumo
manda cada a um único . é o domínio; é o contradomínio; a imagem é o que de fato atinge.
Domínio: denominador , radicando de raiz par . Completar o quadrado: , logo não zera.
Gráfico de : reta com buraco em . Translação: manda para ( à direita, para cima).
Inversa de : no ramo; tem em . Crescente estrita pela diferença implica injetora.
é , não e . não força . equivale a , isto é .