Lógica MatemáticaLógica Proposicional
Sintaxe e Semântica
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Sintaxe e semântica proposicional
A lógica proposicional trata de frases que são verdadeiras ou falsas. A sintaxe diz quais cadeias de símbolos são fórmulas. A semântica diz o que cada fórmula vale, depois de escolher verdadeiro ou falso para cada átomo — uma letra como ou que está no lugar de uma frase inteira.
Essa escolha de verdadeiro ou falso para cada átomo é a valoração. Sem valoração, ainda não tem valor de verdade. Com valoração, a fórmula fica verdadeira ou falsa.
Sintaxe: átomos, conectivos e FBF
Variáveis proposicionais (átomos) representam declarações atômicas, sem estrutura interna. "Está chovendo" pode ser ; o valor ou não é da sintaxe.
Conectivos:
- Negação : verdadeira exatamente quando é falsa.
- Conjunção : verdadeira só quando e são ambas verdadeiras.
- Disjunção : verdadeira quando pelo menos uma é verdadeira (inclusiva).
- Implicação : falsa somente se é verdadeira e é falsa; nos outros três casos é verdadeira.
- Bicondicional : verdadeira quando e têm o mesmo valor.
A implicação não afirma que causa . Só exclui o caso " vale e falha". Essa definição segue uma ideia simples: um compromisso condicional só é quebrado quando o lado esquerdo (antecedente) ocorre e o lado direito (consequente) falha. Se o antecedente não ocorreu, o compromisso não foi violado, por isso os dois casos com antecedente são . Os quatro casos:
Se o antecedente é falso, é verdadeira, o chamado caso vacuoso. Isso segue da definição do conectivo; não é preciso montar a tabela para justificar esse caso.
Precedência usual: primeiro, depois e , depois e . Parênteses desfazem a dúvida: não é .
Uma fórmula bem formada (FBF) é obtida pelas regras abaixo:
- Cada variável é uma FBF.
- Se é FBF, é FBF.
- Se e são FBF, então , , e são FBF.
Válidas: , , , . Inválidas: , sozinho, .
As regras existem para que cada fórmula tenha uma árvore de construção: sabemos qual é o conectivo principal e quais são as subfórmulas. Sem isso, poderia ser duas fórmulas diferentes, e a valoração não saberia por onde começar.
Em o conectivo principal é : o antecedente é o átomo e o consequente é a conjunção . Em o principal é . São fórmulas distintas; atribuir ou aos átomos pode tornar uma verdadeira e a outra falsa. Com e : a primeira é , ou seja ; a segunda é , ou seja .
Semântica: o que é uma valoração
Uma valoração (atribuição) escolhe, para cada átomo, um valor em . A fórmula composta não escolhe o valor à parte: ela o herda dos átomos pelas regras dos conectivos.
Duas fórmulas diferentes podem coincidir em uma valoração e divergir em outra. Classificar uma fórmula (sempre verdadeira, sempre falsa, às vezes) exige varrer todas as valorações; uma única valoração não basta.
Regras (as mesmas dos conectivos, agora como função de ):
- se e somente se ;
- se e somente se ambos são ;
- se e somente se ao menos um é ;
- se e somente se e ;
- se e somente se .
Uma valoração concreta
Tome , e a fórmula .
Primeiro : (falta o ). Depois : , o único caso em que a implicação é falsa. Nesta valoração a fórmula é falsa. Uma única linha não decide se ela é sempre verdadeira: esta pode ser o único contraexemplo, ou o começo de uma fórmula sempre falsa.
Com e : é , logo . A mesma fórmula já foi e : às vezes verdadeira, às vezes falsa.
Tautologia, contradição e implicação válida
Depois de fixar a linguagem, os rótulos leem o conjunto de todas as valorações:
- Tautologia: verdadeira em toda valoração. Exemplo: .
- Contradição (insatisfatível): falsa em toda valoração. Exemplo: .
- Satisfatível: verdadeira em alguma valoração. Toda tautologia é satisfatível; uma contingência também é.
- Contingência: satisfatível, mas não tautologia, verdadeira em alguma valoração e falsa em outra.
Uma valoração em que a fórmula vale só mostra que ela é satisfatível; para ser tautologia, ela deve valer em toda valoração, e para ser contradição, deve falhar em toda valoração.
O conectivo fica dentro da fórmula. O traço (ou "implica validamente") é uma afirmação sobre fórmulas: significa que, em toda valoração em que é verdadeira, também é, equivalentemente, é tautologia.
Não confundir:
- pode ser contingente (vale ou não, conforme e );
- afirma que essa implicação nunca falha.
Exemplo
Classifique as afirmações abaixo.
I. é tautologia.
II. é contradição.
III. .
IV. é a mesma afirmação que .
Se é , então é , logo é (antecedente falso, caso vacuoso). Fica .
Se é , o antecedente da fórmula grande é falso, logo é , qualquer que seja .
Em ambos os ramos o valor é : tautologia, logo também satisfatível. O valor de não altera esse resultado.
A fórmula pede e ao mesmo tempo (e ainda ). Se é , é e a conjunção é falsa. Se é , o bloco é e a conjunção é falsa. Sempre : contradição, portanto insatisfatível.
O traço pede: sempre que o antecedente for , o consequente também é. Suponha verdadeira. Então os dois lados da conjunção são : é , logo é ; e é . Com falso, só é verdadeira se é . Sempre que o antecedente vale, vale: correto. Equivale a dizer que é tautologia.
é exatamente , um lado do bicondicional. exige também . Contraexemplo: , torna verdadeira e falsa. Logo IV é falsa como identificação.
Resumo da classificação: I tautologia, II contradição, III implicação válida, IV não.
Em Resumo
Sintaxe: átomos, conectivos e FBF por regras; o valor / não faz parte da sintaxe.
Valoração escolhe ou em cada átomo e estende a fórmula pelas regras dos conectivos.
Tautologia / contradição / contingência leem todas as valorações; satisfatível pede só alguma; significa que é tautologia — afirmação sobre fórmulas, separada do conectivo dentro delas.