Probabilidade e EstatísticaConceitos Básicos
Experimentos Aleatórios
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O que é um experimento aleatório
Um experimento aleatório é um procedimento que se pode repetir sob as mesmas regras e cujo resultado não fica determinado antes de realizar. Lançar uma moeda, um dado ou retirar uma carta de um baralho embaralhado: o aparato é conhecido, mas o desfecho desta realização não.
O oposto é um experimento determinístico: o resultado segue das condições iniciais. Soltar uma pedra no vácuo, perto da Terra, produz sempre a mesma queda. Não há desfechos concorrentes — por isso não há o que sortear.
Duas marcas separam os dois tipos:
- Repetibilidade. Dá para executar o procedimento várias vezes com as mesmas regras e registrar o desfecho de cada vez.
- Incerteza. Em cada realização, o desfecho concreto não é previsível, mesmo conhecendo o aparato.
As regras estão fixas (duas faces, seis faces, 52 cartas); o aleatório está em qual face ou carta sai agora. A probabilidade entra depois, para quantificar essa incerteza. O procedimento e o conjunto de desfechos possíveis vêm antes dessa conta.
Espaço amostral finito
O espaço amostral é o conjunto de todos os resultados possíveis do experimento. Cada elemento de é um resultado elementar (ou ponto amostral): um desfecho que, neste modelo, não se decompõe em outros.
Por que um conjunto? A pergunta "o que pode acontecer?" precisa de uma resposta fechada antes de contar pontos ou atribuir pesos. Sem listar , não há como distinguir "todos os desfechos" de "alguns". O conjunto reúne os desfechos possíveis pelas regras; ele não prevê qual ponto sairá.
Aqui é finito: dá para listar os pontos. Espaços infinitos (contar lançamentos até a primeira cara, ou medir um tempo contínuo) pedem outra ferramenta; o curso começa pelo caso em que cabe numa lista.
Exemplos de finito:
- Uma moeda: , .
- Um dado de seis faces: , .
- Uma carta de um baralho padrão: .
Um dado e uma carta têm diferentes porque as regras admitem quantidades diferentes de desfechos. conta os pontos do modelo, não mede quão aleatório é o experimento.
Experimento composto: produto e árvore
Um experimento simples tem uma só etapa (um lançamento). Um experimento composto encadeia etapas: duas moedas; uma moeda e depois um dado; dois dados.
Moeda e depois um dado: a primeira etapa tem desfechos e a segunda tem faces. Cada desfecho da moeda pode ser seguido por qualquer face.
A raiz da árvore não é um resultado. O primeiro nível ramifica nos desfechos da moeda. De cada um desses ramos saem folhas, uma por face do dado.
Cada caminho da raiz até uma folha é um ponto de : um par ordenado (ou uma -upla, se houver mais etapas), com uma coordenada por etapa. Dois pares são o mesmo ponto exatamente quando as coordenadas correspondentes coincidem.
O ramo que começa em cara e o ramo que começa em coroa não compartilham folhas, e todo caminho começa em um dos dois. Contar os caminhos é multiplicar o número de ramos pelo número de folhas em cada um.
Pelo princípio fundamental da contagem, a mesma conta vale quando a primeira etapa tem resultados, a segunda tem , e as etapas se combinam livremente — cada desfecho da primeira pode ser seguido por qualquer desfecho da segunda:
Se a segunda etapa não existe em todos os ramos, o produto simples não vale. Exemplo: só se lança o dado quando a moeda deu cara; se deu coroa, o experimento para. O ramo cara tem folhas e o ramo coroa tem folha (a própria coroa). A árvore tem caminhos, não . Conta-se ramo a ramo. O caso padrão é o produto livre.
A árvore monta ; os pesos nos ramos vêm depois.
Exemplo: uma moeda
Lançar uma moeda. As regras admitem dois desfechos, e só dois:
Antes do lançamento não dá para saber qual dos dois sai. Isso já distingue o experimento da pedra que sempre cai: lá o modelo teria um único ponto.
Para duas moedas em sequência, a árvore tem dois níveis, cada um com ramos. Escreva C para cara e K para coroa:
raiz
/ \
C K
/ \ / \
C K C K
Os quatro caminhos são CC, CK, KC e KK. Logo
A ordem importa: CK e KC são pontos distintos — primeira C e segunda K não é o mesmo caminho que primeira K e segunda C. Uma moeda usa o conjunto . Dois lançamentos em sequência formam pares em com quatro pontos.
Exemplo: moeda e depois um dado
Lança-se uma moeda e, em seguida, um dado de seis faces. As etapas se combinam livremente: qualquer face pode seguir cara ou coroa.
A moeda tem resultados, . O dado tem resultados, .
O primeiro nível ramifica em C e K. De cada um desses dois ramos saem seis folhas ( até ). Não há ramo extra e não falta folha: produto livre.
moeda
├── C ── 1, 2, 3, 4, 5, 6
└── K ── 1, 2, 3, 4, 5, 6
Cada caminho raiz–folha é um par. Os caminhos são
Logo
com .
Sem desenhar: . A regra do produto é a árvore contada de uma vez. Cada caminho um ponto de . Se alguém listasse só "cara-ímpar" como se fosse um único desfecho, estaria misturando ponto e pacote: , e são três caminhos, não um.
O par é um resultado elementar. "Saiu cara e um ímpar" já junta três pontos: isso é um evento, um subconjunto . Contar e dividir por fica na página de eventos. Aqui tem pontos listáveis.
O mesmo desenho com dois dados (dois estágios de ramos) dá
e são dois caminhos distintos, dois pontos. Três dados: , mais um nível na árvore. O desenho cresce; o produto continua sendo o atalho para .
Em Resumo
Experimento aleatório: repetível, desfecho incerto; o determinístico tem desfecho fixado pelas condições.
Espaço amostral : conjunto dos resultados possíveis; nesta página, finito e listável.
Experimento composto com etapas livres: ; a árvore de dois estágios enumera os caminhos (pares).
Empacotar pontos num evento e calcular fica na página de eventos.