Redes de ComputadoresIntrodução às Redes de Computadores
Terminologia de Rede
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O que é isto
Glossário do vocabulário usado no resto da subárea: quem é host, o que viaja no cabo, como uma mensagem ganha envelopes e o que significam unicast, broadcast, multicast, largura de banda e throughput.
Camadas OSI, topologias e o detalhe de hub versus switch não se reensinam aqui. Um host usa um endereço IP; a tabela de sete funções e o desenho estrela/anel ficam em outras páginas desta subárea.
Ideia central
Uma rede é um conjunto de dispositivos ligados por enlaces que trocam dados segundo protocolos. O dado não viaja "inteiro": é fatiado e cada fatia carrega endereços.
Sem nomes estáveis para essas fatias, a mesma frase ("o pacote chegou") mistura três camadas.
Host e nó
- Nó: qualquer dispositivo que envia, recebe ou encaminha dados — host, roteador, switch, repetidor.
- Host (estação): nó de ponta que gera ou consome dados e em geral não encaminha o tráfego de terceiros. PC, celular, servidor web, impressora de rede.
Todo host é um nó; a recíproca é falsa. Encaminhar o tráfego de terceiros não faz o equipamento ser host daquela conversa.
O roteador da casa é nó da rede e só encaminha a conversa HTTP — não participa dela como host. Um switch no armário também é nó e só encaminha; tampouco é host.
Se pede uma página a , os hosts da conversa são e . Tudo que no caminho só copia, comuta ou roteia o tráfego de terceiros é nó sem ser host daquele diálogo.
Hub (só física, espalha o sinal), switch (enlace, escolhe a porta pelo MAC) e roteador (rede, escolhe o próximo salto pelo IP) ficam na página de dispositivos. Aqui basta o contraste host nó.
Pacote e quadro
O nome da unidade muda com a camada. A literatura chama isso de PDU (protocol data unit): é a fatia que aquela camada de fato lê.
| Camada | PDU | Endereço que ela lê |
|---|---|---|
| Aplicação | mensagem | URL, nome DNS, caixa de e-mail |
| Transporte | segmento (TCP) / datagrama (UDP) | porta |
| Rede | pacote | IP |
| Enlace | quadro (frame) | MAC |
| Física | bit / símbolo | nenhum |
Na fala cotidiana "pacote" mistura tudo; na análise por camada, quadro pacote. O switch encaminha o quadro. O roteador encaminha o pacote e gera outro quadro.
Se os dois nomes colapsam, some a razão de o MAC mudar a cada salto e o IP de destino, em geral, não. O envelope de fora é do vizinho; o de dentro, do destino final.
Encapsulamento
Cada camada envolve a PDU da de cima com o próprio cabeçalho (e, no enlace, muitas vezes um trailer com CRC). No destino, o processo se inverte: quem não reconhece o endereço daquela camada descarta; quem reconhece tira o envelope e entrega para cima.
Cada salto só precisa do envelope da camada em que opera; um cabeçalho único obrigaria todo nó a interpretar tudo.
O switch não interpreta HTTP. O roteador não precisa do MAC do PC de origem depois de montar o quadro de saída.
Duas consequências:
- Quem encaminha na LAN olha o quadro (MAC).
- Quem encaminha entre redes olha o pacote (IP) e gera um quadro novo — os MACs do salto anterior não atravessam o roteador.
Encapsular empilha metadados ao redor dos dados. A carga útil fica no miolo; o CRC do quadro não substitui o endereço IP, e o IP não diz em qual porta Ethernet o vizinho está.
Unicast, broadcast, multicast
- Unicast: um origem, um destino. Quadro Ethernet com MAC unicast; pacote IP com um host destino.
- Broadcast: um origem, todos no domínio. MAC
ff:ff:ff:ff:ff:ff; IPv4 limitado (ex.:255.255.255.255ou o broadcast da sub-rede). ARP "quem tem este IP?" é o exemplo clássico: o remetente ainda não sabe o MAC. - Multicast: um origem, um grupo. Nem todos os nós processam; só quem aderiu ao grupo (IPv4 ). Streaming interno e alguns roteamentos usam isso.
Broadcast na LAN é barato de entender e caro de escalar: cada estação gasta tempo com um quadro que talvez não lhe sirva. Por isso o switch quebra o domínio de colisão, mas não o de broadcast — a menos que haja VLAN.
Os três modos diferem no alcance: unicast atinge um destino; broadcast, todo o domínio; multicast, um grupo. Um filme para 50 alunos em unicast são 50 cópias; em multicast, um grupo e uma cópia por segmento interessado.
Largura de banda e throughput
- Largura de banda (capacidade do canal): taxa máxima que o meio/protocolo admite, em bit/s. Um enlace "1 Gbps" pode inserir bits por segundo no fio.
- Throughput: taxa útil observada — bits de dados que de fato chegaram, descontando cabeçalhos, retransmissões, contenção e silêncio.
Throughput largura de banda. O canal anuncia o teto; o que o usuário vê é o que sobrou depois dos envelopes e das perdas.
Um enlace de 1 Gbps com Wi-Fi compartilhado, TCP em recuperação ou muitos broadcasts entrega bem menos. Latência é outra grandeza: tempo de ponta a ponta, não taxa.
Um canal largo e longo (fibra intercontinental) pode ter throughput alto e latência de dezenas de milissegundos. Não se infere uma pela outra.
Três caixas no armário
PC, switch e roteador no mesmo rack. O PC gera o GET: é host (e portanto nó). O switch só encaminha quadros pelo MAC e conta como nó da rede. O roteador só encaminha pacotes pelo IP e também é nó; nenhum dos dois é host da conversa HTTP.
Na mesma LAN, o GET de a desce em quatro nomes, num fôlego: mensagem HTTP, segmento TCP, pacote IP, quadro Ethernet. O switch lê o quadro; não precisa abrir o pacote.
GET, depois ARP
O host (, MAC ) pede GET / ao servidor (, MAC ) na mesma LAN. ainda não conhece o MAC de .
Sem MAC destino, o enlace não monta o quadro do GET. A descoberta vem antes da página.
Não há mensagem HTTP nem segmento TCP. A carga é ARP: "quem tem ?". O quadro Ethernet vai a ff:ff:ff:ff:ff:ff.
Todo nó da LAN recebe; só responde unicast com . Sem esse quadro, o GET não sai: o enlace precisa de um MAC destino.
De cima para baixo, monta: mensagem GET / HTTP/1.1; segmento TCP (porta efêmera 80); pacote IP (); quadro Ethernet ( + o pacote + FCS).
Quatro envelopes, um destino unicast. O miolo útil é o GET; cada camada só acrescenta o endereço que ela sabe ler.
confere o FCS, reconhece o próprio MAC, entrega o pacote à rede, o segmento ao processo na porta 80, a mensagem ao servidor HTTP.
O switch no caminho não abre o IP: encaminha pelo MAC destino. Host sobe a pilha; o switch pára no quadro.
O quadro de leva o MAC do gateway; o pacote IP, ainda assim, traz o IP de . Dois envelopes, dois destinos.
Os MACs do salto anterior param no roteador; o IP de destino atravessa e ganha um quadro novo na LAN de saída.
O pedido HTTP é unicast; a descoberta do vizinho é broadcast. O encapsulamento do ARP pára no enlace: o objetivo é achar o MAC.
1 Gbps no papel, menos no fio
Um enlace Ethernet anuncia 1 Gbps. Essa é a largura de banda: o teto. Num segundo, tenta enviar um arquivo de 100 MB, ou bits, para .
Cabeçalhos Ethernet/IP/TCP, intervalos entre quadros e uma retransmissão consomem cerca de 20% do tempo. Bits úteis no segundo: . Throughput observado: Mbps.
A largura de banda continua 1 Gbps — o teto não baixou; o útil é que ficou menor. Se o canal fosse Wi-Fi compartilhado com outro fluxo, o throughput cairia de novo, ainda com o mesmo anúncio de capacidade.
Não se lê throughput no rótulo da placa; mede-se o que de fato passou.
Em Resumo
Host gera ou consome dados; nó é o termo mais largo (inclui quem só encaminha).
Quadro = enlace (MAC); pacote = rede (IP); encapsular é empilhar esses envelopes e desembrulhar no destino.
Unicast fala com um; broadcast, com todos do domínio; multicast, com um grupo.
Largura de banda é capacidade; throughput é o que de fato passou — sempre menor ou igual.
Camadas, topologias e hub/switch têm páginas próprias; aqui só o vocabulário.